Chapter One: The Infusion of Desire The air within the private pavilion of Concubine Loulan was thick with the warm steam of subterranean hot springs.
Original Prompt: Capítulo Único: A Infusão do Desejo O ar dentro do pavilhão privado da Concubina Loulan era densamente impregnado pelo vapor quente das fontes termais subterrâneas. Não era um aroma comum de palácio; além das pétalas de lótus flutuantes, havia uma nota distinta e terrosa de raiz de ginseng selvagem, canfaleiro e folhas secas de angélica. Maomao piscou diante da névoa espessa, ajeitando a pesada bolsa de couro pendurada em seu ombro. Como apotecária, seu diagnóstico inicial sobre aquele banho fora automático: uma infusão para estimular a circulação sanguínea, relaxar a musculatura e, se a proporção de flor de açafrão estivesse correta, agir como um sutil afrodisíaco cutâneo. - Você demorou, Maomao - ecoou uma voz melódica e brincalhona no centro do recinto de mármore. Através das cortinas de seda translúcida que pendiam do teto elevado, Maomao divisou a figura na água. Loulan - ou melhor, Shishui, como ela gostava de se revelar quando as aparências sufocantes do Palácio Interior podiam ser descartadas. Sem trajar os pesados vestidos extravagantes ou as maquiagens elaboradas que a definiam perante os eunucos e outras concubinas, a jovem na água parecia quase irreal. Seus cabelos negros e úmidos grudavam-se em seus ombros alvos, e os olhos escuros faiscavam com uma curiosidade quase infantil sob o reflexo ondulante da água mineral. - O Palácio Interior está sob rígida vigilância esta noite, Lady Loulan - respondeu Maomao, ajustando o tom de sua voz para a costumeira indiferença profissional enquanto dava alguns passos para frente. - Passar pelos guardas com uma bolsa cheia de raízes raras sem levantar suspeitas de envenenamento não é uma tarefa simples. Shishui riu baixinho, um som suave que ressoou contra o mármore úmido. Com um movimento gracioso das mãos, ela afastou as cortinas de seda, permitindo que a névoa se dissipasse levemente entre elas. - Mas você veio mesmo assim - disse Shishui, inclinando a cabeça de lado e apoiando os cotovelos na borda esculpida da piscina termal. - E não me chame de "Lady Loulan" quando estivermos a sós. Você sabe o quanto esse nome me cansa. Maomao aproximou-se da borda, ajoelhando-se sobre o piso aquecido. Ela pousou a bolsa de couro ao seu lado e puxou uma pequena tigela de cerâmica e um medidor de madeira. - Se a senhora - ou melhor, você - continuar misturando ervas sem a devida orientação, terminará causando uma erupção na pele ou uma vasodilatação perigosa - murmurou Maomao, inclinando-se ligeiramente sobre a água para cheirar o vapor. - Açafrão-da-terra, ginseng e angélica... A concentração de óleo essencial nesta água está acima do recomendado. Quem preparou este banho? - Eu mesma - Shishui sorriu com malícia, aproximando-se da borda até que seus rostos estivessem separados por apenas dois palmos de distância. O calor de sua pele e a fragrância doce das flores flutuantes atingiram Maomao de frente. - Eu queria saber se você notaria a diferença. Um pequeno teste para a minha apotecária favorita. Maomao estreitou os olhos ligeiramente. Ela fez isso de propósito só para testar meu olfato? Que mulher imprevisível. - Isso é irresponsável - advertiu Maomao, embora seu olhar tenha se demorado um segundo a mais do que o necessário na curva do pescoço de Shishui, onde gotas de água translúcidas escorriam lentamente até a clavícula. - A combinação destas ervas em água quente acelera o pulso e eleva a temperatura corporal rapidamente. Se permanecer aqui por muito tempo, sentirá tonturas. - Meu pulso já está acelerado desde o momento em que vi você cruzar aquela porta, Maomao - sussurrou Shishui, a voz baixinha e aveludada, despida de qualquer artifício aristocrático. A apotecária congelou por uma fração de segundo. Seus pensamentos analíticos, habitualmente organizados como prateleiras de remédios, vacilaram. Ela tentou racionalizar a sensação: Era apenas o vapor. O efeito da canfora e do açafrão dilatando os vasos sanguíneos. Mas o tremor sutil em suas próprias mãos revelava algo mais. - Permita-me verificar sua pulsação para confirmar o nível de afetação - disse Maomao, mantendo a postura firme enquanto estendia a mão para a borda da piscina. Shishui não hesitou. Ela ergueu o braço molhado e repousou o pulso macio na palma da mão de Maomao. A pele de Shishui estava quente, aveludada e ligeiramente escorregadia por causa dos óleos vegetais. Maomao pressionou dois dedos sobre a artéria radial. O ritmo cardíaco sob suas gemas digitais era forte, rápido e ritmado - longe de ser um sinal de febre médica, mas claramente indicativo de um estado de excitação ou expectativa. - Viu? - murmurou Shishui, deslizando a outra mão até tocar suavemente os dedos de Maomao que seguravam seu pulso. - Não é a água. É você. Maomao sentiu um calor repentino subir por seu pescoço. Ela encarou Shishui nos olhos. Sob aquela névoa densa e envolvente, a máscara da concubina misteriosa havia desaparecido por completo, deixando apenas a jovem de olhar ardente e transparente que fascinava Maomao de uma forma que remédios ou venenos jamais conseguiram explicar. - Você joga um jogo perigoso, Shishui - disse Maomao, com a voz um pouco mais grave do que o habitual. - No Palácio Interior, sentimentos e distrações podem ser fatais. - Tudo neste lugar é mortal, Maomao - replicou Shishui, o tom subitamente sóbrio e melancólico, antes de um sorriso brando retornar aos seus lábios. - Mas com você, e apenas com você, sinto que posso respirar. Sem vestes de corte, sem conspirações. Apenas nós duas... e suas preciosas ervas. Com um puxão suave, porém firme, Shishui guiou a mão de Maomao para cima, fazendo com que os dedos da apotecária tocassem a pele úmida de seu rosto, contornando a linha da sua mandíbula até seus lábios macios. Maomao prendeu a respiração. A lógica lhe dizia para recuar, para lembrar do seu dever e das regras estritas do pavilhão. No entanto, a proximidade daquela mulher fascinante, o perfume inebriante do açafrão e o toque quente de sua pele dissolveram qualquer resquício de hesitação pragmática. Inclinando-se um pouco mais sobre a borda da piscina, Maomao reduziu a distância restante entre elas. Quando seus lábios finalmente se encontraram, foi um toque suave e hesitante no início, impregnado pelo sabor sutil da névoa e pela doçura floral das pétalas de lótus. Shishui soltou um leve suspiro contra a boca de Maomao, aprofundando o beijo ao envolver a nuca da apotecária com os dedos úmidos. O contraste entre a frieza habitual de Maomao e o calor apaixonado de Shishui parecia equilibrar a mistura perfeita do banho. Não havia pressa; era uma dança lenta de toque, respiração e desejo contido que há muito tempo fermentava nas sombras do pavilhão. Quando finalmente se separaram, Maomao manteve a testa apoiada na de Shishui por alguns instantes, os olhos semicerrados enquanto recuperava o fôlego. - O açafrão... definitivamente cumpriu seu papel - murmurou Maomao, abrindo um pequeno e raro sorriso de canto. Shishui soltou uma risada cristalina que pareceu afastar a melancolia do Palácio Interior por inteiro. - Se esse é o efeito da infusão - disse Shishui, passando o polegar carinhosamente pela bochecha corada de Maomao - , acho que vou precisar que a minha apotecária venha examinar meu banho todas as noites. Maomao suspirou de forma fingidamente resignada, embora seus olhos dobrassem com um afeto indisfarçável ao olhar para a mulher na água. - Terei que preparar um tônico de bálsamo para o amanhã - respondeu Maomao, ajeitando as mangas de sua túnica - , pois suspeito que nenhuma de nós vai conseguir dormir tão cedo esta noite. E, sob o véu protetor da névoa e das pétalas flutuantes, as duas permaneceram juntas, encontrando no abraço quente daquele pavilhão secreto um refúgio que nem mesmo o maior palácio do império poderia tirar delas. (Cria uma imagem dessa fic
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